17 June, 2009

Artigo - Ha séculos a Patagônia inspira sonhos

Ha séculos a Patagônia inspira sonhos - Publicado em 18 de maio de 2006

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Artigo - Pantanal e Bonito

Pantanal e Bonito - Publicado em 25 de maio de 2006

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Artigo - Estrada Real: o caminho do ouro agora é do turismo

Estrada Real: o caminho do ouro agora é do turismo - Publicado em 01 de junho de 2006

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Artigo - O Salão do Turismo e os roteiros do Brasil

O Salão do Turismo e os roteiros do Brasil - Publicado em 08 de junho de 2006

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Artigo - O Sul do Piauí é lindo e desconhecido

O Sul do Piauí é lindo e desconhecido - Publicado em 15 de junho de 2006

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Artigo - Amazonia e Rio Negro: a última fronteira

Amazonia e Rio Negro: a última fronteira - Publicado em 29 de junho de 2006

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Artigo - Festa do Peão de Barretos: mitos e verdades

Festa do Peão de Barretos: mitos e verdades - Publicado em 06 de julho de 2006

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Artigo - Turismo Trajeto X Turismo Destino

Turismo Trajeto X Turismo Destino - Publicado em 13 de julho de 2006

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Artigo - Saindo das Praias e fazendo turismo no Interior

Saindo das Praias e fazendo turismo no Interior - Publicado em 20 de julho de 2006

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Artigo - A Sociedade dos Sonhos e o Turismo

A Sociedade dos Sonhos e o Turismo - Publicado em 27 de julho de 2006

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Artigo - Você é viajante ou turista?

Você é viajante ou turista? Publicado em 03 de agosto de 2006

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Artigo - Turismo Gastronômico: um mosaico de sabores

Turismo Gastronômico: um mosaico de sabores - Publicado em 10 de agosto de 2006

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Artigo - Cicloturismo: o mundo em duas rodas

Cicloturismo: o mundo em duas rodas - Publicado em 17 de agosto de 2006

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Artigo - Agente de Viagem: Evolução X Extinção

Agente de Viagem: Evolução X Extinção - Publicado em 24 de agosto de 2006

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Artigo - Esqui na América do Sul

Esqui na América do Sul - Publicado em 31 de agosto de 2006

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Artigo - Aiuruoca e Matutu

Aiuruoca e Matutu - Publicado em 07 de setembro de 2006

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Artigo - Fazendas da História Brazileira: Fazenda Traituba

Fazendas da História Brazileira: Fazenda Traituba - Publicado em 14 de setembro de 2006

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16 June, 2009

How to disconnect the link between Twitter and Facebook

 Are you flooding your FB with your Twitter Chatter? Here’s how to disconnect both accounts:

  • Go to your Facebook Account
  • Write Twitter in the search box on the upper right hand corner
  • On the results page, click on View Application
  • On this next page, there is a blue bar on the top. There is the option Settings.
  • Mouse over Settings
  • A drop down menu will show Application Settings – click on it
  • Find the Twitter line – from here on you have 2 choices:
    • 1
      • Click on Edit Settings
      • Click on Additional Permissions
      • Unmark Publish Streams
    • 2
      • Click on the X and remove the Twitter Application altogether

 Hope it worked!

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Artigo - Peregrinações Extremas: Monte Kailash

Peregrinações Extremas: Monte Kailash - Publicado em 21 de setembro de 2006

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Artigo - Por que subir montanhas?

Por que subir montanhas? - Publicado em 26 de outubro de 2006 e originalmente na revista NEZ de 1999.

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Artigo - Vasculhando o Nordeste: Naturismo em Tambaba, Paraíba

Vasculhando o Nordeste: Naturismo em Tambaba, Paraíba - Publicado em 09 de novembro de 2006

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Artigo - Vasculhando o Nordeste: Natal, Rio Grande do Norte

Vasculhando o Nordeste: Natal, Rio Grande do Norte - Publicado em 16 de novembro de 2006

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Artigo - Turismo Esportivo: realidade ou sonho distante

Turismo Esportivo: realidade ou sonho distante - Publicado em 23 de novembro de 2006

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Artigo - Cruzando a Patagonia de moto

Cruzando a Patagonia de moto - Publicado em 30 de novembro de 2006

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Artigo - Cruzando a Patagonia de moto - Estância Sibéria

Cruzando a Patagonia de moto - Estância Sibéria - Publicado em 07 de dezembro de 2006

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Artigo - Cordilheira dos Andes: Um muro natural

Cordilheira dos Andes: Um muro natural - Publicado em 14 de dezembro de 2006

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Artigo - Natal na Islândia

Natal na Islândia - Publicado em 21 de dezembro de 2006

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Artigo - Cruzeiros Marítimos: é tudo a mesma coisa?

Cruzeiros Marítimos: é tudo a mesma coisa? Publicado em 25 de janeiro de 2007

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Artigo - Turismo Utópico. Isso existe?

Turismo Utópico. Isso existe? Publicado em 01 de fevereiro de 2007

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Artigo - Acampando na Patagonia com Crianças - parte 0

Acampando na Patagonia com Crianças - parte 0 - Publicado em 08 de fevereiro de 2007

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Artigo - Acampando na Patagonia com Crianças - parte 1

Acampando na Patagonia com Crianças - parte 1 - Publicado em 15 de fevereiro de 2007

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Artigo - Acampando na Patagonia com Crianças - parte 2

Acampando na Patagonia com Crianças - parte 2 - Publicado em 22 de fevereiro de 2007

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Artigo - Acampando na Patagonia com Crianças - parte 3 - O Super Herói

Acampando na Patagonia com Crianças - parte 3 - O Super Herói - Publicado em 01 de março de 2007

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15 June, 2009

Artigo - Navegando nos fiordes Chilenos

Navegando nos fiordes Chilenos - publicado em 08 de março de 2007

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Posterous | Re: Artigo - Antártida, sua próxima viagem

Mendoza, Terra do Vinho - publicado em 29 de março de 2007

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Artigo - O Charme Inglês de Paranapiacaba

O Charme Inglês de Paranapiacaba - publicado em 05 de abril de 2007

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Artigo - Antártida, sua próxima viagem

Artigo - Antártida, sua próxima viagem - publicado em 12 de abril de 2007

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Impressões - Filme - Mulher Invisível

Filme: A mulher invisível – 105 minutos

 

Atores: Selton Mello (Pedro Albuquerque), Luana Piovani (A invisível Amanda), Maria Manoella (Vizinha Vitória), Vladimir Brichta (Amigo Carlos)

 

Enredo: Homem é largado por esposa e fantasia a presença de uma mulher ideal em sua vida. Sua vizinha, que já escuta sua vida pela parede há anos, fica viúva. Seu amigo Carlos tenta avisá-lo que está confundindo realidade com fantasia e daí segue a trama.

 

 

Primeiras impressões: Sou suspeito. Gosto do trabalho do Selton Mello há muito tempo. Já começo a dar risada só de olhar para ele. O poder deste filme está na atuação dos atores, já que de cara não se percebe nenhum arroubo de cenário, figurino ou filmagem.

 

Comédia: fazia tempo que eu não ria tantas vezes durante um filme. Parte enredo, parte interpretação, parte timing de edição.

 

A gostosa: É só no Brasil ou gostosas são chamarizes em todos os lugares? O filme veio com uma gostosa rebelde. Neste caso a personagem pegou emprestada a vida real da atriz para ter mais força. Ou seria a vida real da atriz uma bem montada personagem, para satisfazer a fome da mídia? De qualquer forma, parece uma espécie de moto perpétuo midiático, um círculo auto-alimentante eficiente.

 

The leading role: O que é um bom ator? Um bom ator é um ator convincente, que nos faz embarcar em seu personagem, em sua história, que nos faz perder o vínculo com a realidade. E para entrar tanto num personagem, o ator deve se livrar de todos seus outros personagens, inclusive dele mesmo. Com o passar do tempo percebemos que determinado ator só consegue fazer um tipo de personagem e parece que são todos sempre iguais. Não, não é que o ator tenha formado o seu estilo. É que o ator não consegue livrar-se de si mesmo em cena. Selton Mello já provou que consegue fazer uma grande variedade de tipos, mantendo sua marca registrada. Ele consegue dar personalidade individual a cada um de seus personagens, mas mantê-los unidos por algum traço que ainda não identifiquei. Selton Mello não é daqueles atores que pasteurizam todos os seus personagens, pelo contrário, dá vida autônoma a cada um deles.

 

The leading role 2: Enquanto percebemos os outros bons atores representando seus personagens, ou no caso da gostosa rebelde, emprestando sua personagem, Selton Mello nitidamente goza de liberdade interpretativa que dá vida e individualidade ao seu personagem. São jeitos, trejeitos, sotaques e ações exageradas, que nas mãos de Selton se tornam verossímeis. Estivessem em outras mãos, se tornaria pastelão.

 

Meus pensamentos secretos: Deve ser lindo chegar ao estágio da liberdade na carreira, da liberdade de atuar sem medo de ser criticado. Porque não existe nada mais castrante do que o medo, em qualquer coisa na vida, mas especialmente nas performing arts, especialmente sujeitas às criticas.

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14 June, 2009

Impressões - Peça Teatral - Homens de Papel, de Plínio Marcos

Peça: Homens de Papel (duração: 70 minutos)

De: Plínio Marcos – por Grupo Chão de Teatro 

Atores: 11 atores – Almir Miscolcz (Jiló), Angelina Ribeiro (Nhanha), Bruna Aragão (Maria-Vai), Daniele Brandão (Noca), Dênete Reis (Tião), Diego Campagnolli (Coco), Fábio Pasta/Carlos Landucci (Berrão), Fernanda Assef (Gá), Lécio Rabello (Frido), Thiago Barros (Chicão), Uidi Madi (Bichado) – direção Sérgio Audi

Onde: Teatro Coletivo – Rua da Consolação, 1623 – telefone 11 3255 5922

 

Primeiras impressões: Estou estudando este texto de Plínio Marcos com a Daniela Flores. Esta é uma experiência nova para mim, estar na platéia de uma peça da qual conheço, em detalhes, as falas dos personagens. Era o último dia da temporada. Cheguei uma hora antes, só para garantir. Fui vasculhar o teatro antes. Eu tinha tempo. Não encontrei os ingredientes que esperava no palco. Onde estava a pilha de papel que Coco levaria Gá? Para que serviriam aquelas gavetas? Não lembrava de gavetas e mesas nas cenas. O palco era tradicional, com platéia subindo degraus de um lado e o palco do outro, exceto pelo fato que entrávamos pelo canto do palco.

O terceiro da fila: Preciso sentar num bom lugar. Fico antenado e me coloco à frente na fila. Sou o terceiro a entrar. Um casal de rapazes entra à minha frente. Entramos pela lateral do palco. Os rapazes passam reto e não vão em direção às cadeiras. Eu vou, afinal, quero sentar bem na primeira fila. Mas eles param e me chamam. Eu estava errado, não era aquele o palco. Ah, bom, aquelas gavetas não faziam sentido...

Submundo: O tema de Homens de Papel é o submundo dos catadores de papel e coerentemente somos direcionados para o porão. Um porão amplo, com paredes, pilares e pisos descascados. Não fosse pela forte iluminação, teríamos a certeza de estar entrando em algum prédio abandonado do Centrão de São Paulo.

Eles estão entre nós: os atores já estão ali. Não há cochia. Eles nos indicam onde podemos sentar. Não há uma primeira fila. Há 4 primeiras filas. O porão todo é o palco. O centro do palco é o centro do porão. As arquibancadas ficam opostas umas às outras em como nas pontas de um X. Como escolher o local ideal? Para que lado os atores ficarão virados na maior parte do tempo? É, neste caso, um pouco mais alto parece melhor. Sento na terceira fileira.

Texto duro: Quando trabalhamos com números em planilhas Excel, números duros são aqueles que não vêm de fórmula. Eles são os martelados, os colocados na marra, impostos. E assim estava o texto na boca dos atores: exatamente como no texto de Plínio Marcos. Impressionante a capacidade destes atores de fazer parecer suas, as palavras de outro.

Texto difícil: O linguajar é difícil. São gírias que não são nem de nosso tempo, nem de nosso meio. São catadores de papel das épocas dos Réis e vinténs. E mesmo assim os atores trazem estes personagens à vida, dura vida.

Atuação crua: o texto de Plínio Marcos não é uma comédia. É a realidade nua e crua. A peça inteira é um soco no estômago, do início ao fim. Não se usa de sarcasmo, ironia, ou caricaturices. O clima é tenso. Há muita discussão, muita briga. É a luta pela sobrevivência, no limite animal do homem. Há morte, sexo e disputas por dinheiro e poder.

Iluminação: praticamente inexistente. Palco e platéia dividiam o mesmo espaço, ficando tudo sempre às claras. No máximo houve uma diferença de intensidade de luz para demonstrar uma noite ou para puxar a atenção para um dos lados. A ausência de efeitos de iluminação e de cena está coerente com o texto, duro, realista.

Destaques: Angelina Ribeiro (Nhanha) trouxe para vida uma mulher sofrida, firme e determinada. Fernanda Assef (Gá, a criança deficiente mental) emocionou. Thiago Barros (Chicão) caprichou tanto no visual que está vivendo este personagem até fora dos palcos e incorporou trejeitos, caras e bocas muito convincentes ao personagem.

Adaptação: Falando em Réis e vinténs, não poderia haver um catador de papel fumador de crack. Mas houve, e ficou bem. Deu mais um ponto de intensidade a esta história já intensa. A cena em que Coco cerca e bolina Gá, e na qual ela acaba morrendo e a subseqüente morte de Coco pelas mãos de seus companheiros ficou mais fluida do que o texto original.

Meus pensamentos secretos: Estamos estudando este texto. Precisaremos representá-lo. Ver a peça seria ótimo para ter um parâmetro. Que desespero. Que texto difícil de representar. Quando falamos que alguém é teatral, é porque é uma pessoa exagerada, caricata. Neste caso o texto não comporta teatralidades, caricaturices. É um texto duro de representar. Como fazer?

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Impressões - Peça Teatral - Justine, de Marques de Sade

Peça: Justine 

Onde: Espaço dos Satyros – www.satyros.com.br

Atores: 20

Enredo: Baseado no livro ”Justine, os sofrimentos da virtude” de Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade, conta a história de duas irmãs, que após serem abandonadas pelo pai e ficarem órfãs de mãe, tocam suas vidas. Juliette, sem pudores ou restrições morais, inicia pela prostituição e constrói uma vida repleta de dinheiro e realizações. Justine, pudica e amarrada por convenções acerca do certo, justo e moral, passa uma vida desgraçada.

 

Primeiras impressões: Dado o sinal, entramos. Descemos um lance e paramos em frente a outra escada. Sentei na primeira fila, no canto direito. Talvez mais para o meio fosse melhor, mas já estava ocupado. O ambiente parece um subsolo reaproveitado. Nem porão parece. Fico fazendo contas: será que estou embaixo da Praça Roosevelt? Ainda não há movimento de atores ou luzes, tampouco de música. Eu não sou o único a escolher lugar para sentar. Há pessoas que sentam em diversos lugares até decidir pelo que julgam ser o melhor lugar, disponível, isto é. O palco, pelo que parece, fica no mesmo nível que a primeira fileira. Há um piano numa entrada na parede do lado direito. Se houver cenas ali, talvez eu não possa ver direito. Neste mesmo nível, do lado esquerdo, há 3 entradas, maiores que portas, e logo acima, um espaço como se fosse um terraço, num segundo andar. Ao fundo, o que parece um palco, se não fosse tão alto, estreito e longe de nós.

Atrás de nós, um espaço que parece ser para quem vai orquestrar som e luzes.

Narrativa: Logo de cara percebe-se que a peça será interpretada e narrada. Há narrativas de fatos e há narrativas de pensamentos. Pensamentos narrados pelo próprio personagem e fatos narrados por personagens aleatórios. A história fica muito bem contada desta forma.

Iluminação: Cortinas, sombras, escuridão, tudo muito bem montado.

As primeiras cenas de Juliette vendendo sua virgindade foram cenas feitas atrás de uma cortina vermelha. Uma perfeita introdução ao universo de Sade, para que as cenas de nudez não acontecessem de forma gratuita. Houve um crescendo.

Outra solução muito curiosa foi a encenação do quarto de Justine, no palco do fundo. Um ator segurava um retroprojetor, daqueles de escola. A folha de transparência projetava na parede do fundo a cena, com a cama, a porta, rachaduras na parede e outros elementos. O ator segurando o retroprojetor se mexia e produziu até o efeito de um zoom numa das cenas do quarto.

Em outros momentos tudo ficava escuro, com um único foco de luz no ator ou atriz narrando, como que para nos remeter a um pensamento e esmaecer o impacto das cenas anteriores, normalmente com 20 pessoas nuas em palco.

Cadeiras de roda: Não as cadeiras de roda como as conhecemos, mas houve um elemento interessante que eram personagens femininos, mais velhos, apareciam sobre estrados com roldanas e eram empurradas de um lado para o outro da cena. O estrado não era visível. Estava escondido sob o vestido armado de época. Interessante o elemento, embora eu não tenha identificado totalmente a razão de ser dele. Seria para representar senhoras da corte que eram dependentes em tudo de suas criadas?

Nudez: Paus, peitos e pelos de todas as formas, cores e tamanhos. Não agressivo, natural, à lá Marques de Sade. A peça teria acontecido sem nudez? Sim, mas aí não seria Sade. A nudez foi mais tratada como condição do que como ato, mesmo porque para nudez como ato, estaríamos a uma esquina de distância. Ponto alto das cenas de nudez foi o estupro de virgem Justine pelos padres qual a abrigaram, bem Marques de Sade, um ateu pioneiro que abertamente afrontava a decrépita igreja católica. Numa semana em que temperaturas foram abaixo de zero no Estado do Rio (-2 em Friburgo), foram cenas heróicas, que falam muito sobre o esforço e dedicação necessários ao ofício do ator.

The performing arts: A atriz que representou Justine estava maravilhosa, como atriz, entendam-me. Levou-nos para dentro de sua história, de seu sofrimento, de suas convicções morais. Eu embarquei completamente na personagem e fiz todas as cenas de dentro de sua perspectiva. A ela não foi dada a opção de caricaturizar. Ela foi densa, real, sofrida, esperançosa e ingênua. A outros atores foi dada a opção da atuação escrachada, que trouxe uma leveza ao ambiente, que trouxe risadas, mesmo não sendo uma comédia. Foi encontrado um belo equilíbrio entre diversas formas de atuação. Diferente de um prato da cozinha francesa, que por ode à perfeição contém apenas um ingrediente, neste caso a mistura de sabores foi o tempero perfeito da receita. Entre 20 atores, difícil destacar este ou aquele, mas o conjunto estava harmônico e não percebi nenhum ator destoando do todo.

 

Meus pensamentos secretos: em tom de confissão, pena que estou escrevendo 4 dias depois, depois de uma maratona de peças teatrais e filmes. Gostaria de ter escrito e descrito minhas percepções sobre uma peça destas ainda quente, sob o signo da emoção. Mas não há problema, é uma trilogia e irei às outras duas: “A filosofia na alcova” e “120 dias de Sodoma” – e escreverei logo que voltar.

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Impressões - Peça Teatral - Teatro Enlatado - Daily Special #8

Peça: n° 8 - Colchões

 

Local: Drive Thru, na calçada da Praça Roosevelt, em frente ao Mini Teatro

 

De: Teatro Enlatado – www.prontoparaconsumo.blogspot.com

 

Atores: 2 – um radialista e uma ouvinte sorteada

 

Duração: 4 minutos

 

 

Primeiras impressões: Eu já havia passado em frente ao Drive Thru diversas vezes. Não havia como não perceber aquele objeto na beira da calçada. Uma cabine de acrílico, com uns 2 metros de altura, 3 de comprimento e 1 de largura, com uma luz estroboscópica a chamar nossos olhares. Mas esta noite eu parei em frente. Vi os títulos no cardápio: 1, 2, 3, 4, 5, 6... Mas era dia dos namorados, então tinha os Daily Specials e eu fiquei com o 8 – colchões mega blaster blábláblá...

 

A cortina se abre: a de trás, por onde eu entrei. Sento-me na cadeira. A cortina preta por onde eu entrei se fecha. Ao meu lado esquerdo, uma parede de acrílico. Vejo a calçada e sou visto. Ao meu lado direito, a mulher maravilha. Ou pelo menos a figura dela, com um buraco recortado na sua cara. À minha frente uma tela plástica transparente, dividindo o espaço em dois espaços iguais: do lado de cá, eu; de lá, o palco. A tela plástica tem um buraco redondo grande bem no meio.

 

A mulher maravilha fala - Do buraco na cara da mulher maravilha aparece a moça da bilheteria, aquela que há pouco havia fechado a cortina preta atrás de mim. Ela começa a fazer os anúncios de segurança obrigatórios e ... ops, já começou, já estou rindo. Ela fala tudo ao contrário, como “aqui não há saídas de emergência” e por aí vai. E ela pede que seja fechada a cortina da esquerda. Não serei mais visto pelos pedestres.

 

As luzes se apagam: cortina fechada, luzes apagadas. Está na hora, ou no minuto, do palco. Aparecem 2 atores. No segundo plano, se é que existe segundo plano em menos de 1 metro quadrado, um ator em pé. No primeiro plano, quase tocando seu joelho no meu joelho, sentada, uma atriz.

 

As luzes se acendem: (spoiler – não leia se você quiser consumir o n°8) Atriz parece virar algo para comer. Deglute com sofreguidão. Barulho de telefone chamando, feito pelo ator. Barulho insistente. A mulher hesita em atender. Mais tons de telefone. Ela atende. Ele é de uma rádio. É dia dos namorados. Ela ganhou um sorteio de colchão de casal. “De casal???” – pergunta a atriz e começa a caricatamente chorar. E o empolgado radialista diz que para ganhar precisaria responder 3 questões corretamente. E a cada pergunta, mais pensamentos que perturbam aquela ouvinte solteira num dia dos namorados. Ela responde às 3 perguntas, cômicas, corretamente e ganha. Mas ela não consegue responder ao final. O que estaria naquele potinho que ela virou goela abaixo? Fim.

 

Aplausos: 5 minutos passam muito rápido. As luzes se apagam. Demora uma eternidade de uns 2 segundos para cair a ficha de que acabou. Aplausos e uma sensação de leveza de uma peça que veio, entreteve e se foi em menos de 5 minutos. É, entre bilheteria e saída, 5 minutos. Gostei. Acho que vou consumir os outros números nas próximas vezes que eu passear em frente aos teatros da Praça Roosevelt em São Paulo.

 

After taste: Gostoso. Em menos de 1 metro quadrado, ele transmitia a felicidade forçada dos radialistas e ela a infelicidade depressiva dos suicidas. Caricatos, reais, atores. Leve, uma pílula de diversão. Honesto, a R$ 1,99 ou a R$ 4 por casal, mas você levava 2 balinhas como troco, as indefectíveis balinhas de troco. Até isto, pensado.

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Opportunity for Brazilian Tourism - To attract boat owners

Opportunity for Brazilian Tourism - To attract boat owners

 

Brazil excels in wasting tourism revenue opportunities. But as our National Anthem states, we sleep eternally in a splendid cradle… yeah, sleep…

 

We managed NOT to be a preferred summer getaway. With over 8.000 km of coast line, we managed NOT to be en route for the world’s sailboats and mega yachts.

 

There are various reasons for this, but there is a root: 3 months max stay for foreign boats.

 

It is time to drop this stupid law and benefit from wrong policies occurring elsewhere. As stated by Paul Glavin in http://www.helenmarygee.co.uk/ , the Caribbean Islands are charging such high docking and mooring prices, that bays and quays are getting empty.

 

If Brazil moves swiftly, who knows we can become a desirable destination for wealthy boaters and the not so wealthy as well.

 

Please read Paul’s lines:

 

The Caribbean as a cruising ground for sailors, as we know it is vanishing fast.  There may be a world wide recession but out here they have raised their charges.  In one island  5 euros per square foot for  boat to drop your anchor meaning for a 47 foot boat for three days it costs 36 euros to anchor in open water.  Anguilla charges the equivalent of £400 for a weeks cruising permit plus entry fees.  In the guide book it says that the benefit of this is that the anchorages are empty.  I wonder why?  The downside of this wonderful strategy is that the local population earn nothing.

 

Barbuda, an island that we visited many years ago now charges US$20 dollars one way to take you on a three minute boat ride to the customs dock.

 

We hear that the British Virgin Islands has filled the harbours with mooring bouys at US$25 per night.   You can almost hear the doors closing and the exhaust sounds over the horizon as the people are leaving these wonderful cruising waters in their mega yachts.   To anchor in the bay at St Martin is US$40 for a week and to anchor in the   lagoon for the same period is US$70.  Unfortunately the cruising guide book that went to press at the end of 2008 is so horribly out of date with regard to fees, with some charges being quadrupled.  However you only find that out when you have dropped the hook and by then it is too late.

 

We know of spectacular charter yachts which have only had one booking this season and these bookings would have been taken the season before the crash. 

 

I was paying my anchoring fee in St Barth when one of the super yachts paid his mooring dock fees.  It was over 10,000€.   The inmates have taken over the asylum leaving the rest of us only the back waters to explore, which are seldom reached by a boat drawing over two meters. 

 

So for our part rather than leave the boat in the Caribbean to do another couple of seasons out here sadly we are returning to Europe where, believe it or not as the marinas are becoming half full they are discounting their fees.    Ramsgate berth holders take note.  

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Impressões - Texto - Máquinas de Voar, de Arlindo Machado

(Texto escrito em conjunto com minha irmã, Marília, que estuda Propaganda e Marketing)

O texto Máquinas de Vigiar tem impacto em minhas perspectivas criativas, profissionais e pessoais. Sobre boa parte dele eu já tinha consciência e num outro tanto o texto trouxe mais ingredientes para minha reflexão.

Na esfera privada das pessoas, que será objeto da minha atuação profissional no futuro, o panóptico age em dois extremos: a esquizofrenia para os alertas e a exposição desmedida e exagerada para os não alertas. Na categoria dos não alertas estão todos os muito jovens, nativos digitais, que desprovidos de malícia e totalmente à vontade com as ferramentas de mídias sociais iniciam sua exposição muito cedo sem fazer idéia do impacto que tamanha transparência pode ter em suas vidas. Já no extremo da esquizofrenia temos aqueles que abandonam sua naturalidade e percebem cada câmera oculta em cada ambiente que freqüentam. Como comunicadora tenho que entender a interação entre hardwares, softwares e indivíduos neste universo panóptico. Tenho que saber fazer uso das informações que terei acesso graças à exposição voluntária das pessoas, assim como saber utilizar estes mesmos canais, em direção inversa, para atingir o meu público com a minha mensagem.

No extremo da esquizofrenia também trabalharei com o sadismo, representado pelo prazer mórbido que as pessoas têm de assistir reality shows. Como citado no New York Times,    “This show is all about manipulating the eagerness for celebrity among vulnerable, often desperate people,” David Wilson, a professor at Birmingham City University who briefly worked as a psychologist on “Big Brother” several years ago, wrote in The Daily Mail. “The more tears, humiliation, conflict and embarrassment, the more the public loves it.”[1]

Como comunicadora tenho que entender a psique humana em função da “reversibilidade do olhar” [2] representada pelos opostos voyeurismo X exibicionismo. Ciente desta mazela humana, ao criar e elaborar peças de comunicação terei que imaginar os caminhos que fazem a comunicação permear pela sociedade e de que forma estas peças de comunicação são percebidas e absorvidas por este público, ora exibicionista, ora voyeur. 

Invadidos, expostos, escarafunchados todos somos, da casca às entranhas. Aparelhos de ressonância magnética e endoscópios trazem imagens de nosso interior, nos antecipando o sexo dos filhos, e com o seqüenciamento genético, fazendo previsões de nosso futuro, ou pelo menos de nossas potencialidades futuras. Isto nos remete ao filme Minority Report [3], na qual existe um órgão governamental chamado precrime unit, que prende criminosos preventivamente, na expectativa de crime futuro.

Embalado pelos pensamentos deste filme e mudando de perspectiva, de Estado observador e coercitivo, para observado paranóico, temos uma sensação de vigilância permanente, que num extremo levaria a uma coerção permanente.

A sensação de coerção permanente é exponencializada por uma sensação de punibilidade. A sensação de que estamos sendo vigiados e que seremos denunciados tem efeitos práticos em nossas vidas. Digo que não há povos melhores ou povos piores, há povos mais bem vigiados e menos vigiados. O Brasil se encaixa em menos vigiados. Aqui, apesar da presença de câmeras de vigilância em todos os cantos, pela sensação de impunidade, sentimos que não há total eficácia desta vigilância eletrônica. A vigilância que de fato é descontínua[4], por nós Brasileiros é mesmo sentida como descontínua, livrando-nos, por enquanto, da paranóia da sensação da vigilância permanente. Ainda vemos como anedota, casos de pessoas que sofreram algum tipo de punição baseada na exposição de sua vida particular em mídias sociais[5].

Na minha vida profissional posso ser vítima desta máquina anônima de vigilância, que despersonaliza o poder. No século passado, princípios de produtividade e controle eram personalíssimos, com a figura do chefe, do supervisor, fisicamente presente no ambiente de trabalho. Hoje, com possibilidades de trabalho remoto, aliadas à crescente acessibilidade a tecnologias que tornam a tela dos monitores de TVs e laptops como canais de mão dupla, o volume, qualidade e escala de minha produção poderão ser monitorados à distância.

Como em qualquer evolução, há momentos de início, ruptura e sedimentação. Num primeiro momento, que é o agora, estamos sendo invadidos sem perceber, sem nos darmos conta. Num segundo momento, quando nos dermos conta, possivelmente nos revoltaremos e gritaremos. Será a ruptura. Mas com o tempo, nos acostumaremos. E quando nos acostumarmos, estaremos vivendo num outro Zeitgeist [6], num outro espírito de época, numa época em que acharemos estranho que tudo não fosse transparente, vigiado, vigiável, com dados em tempo real.

Peças de ficção como 1984, de George Orwell ou Sliver - Invasão de Privacidade, com Sharon Stone parecem naïve, perto do que as tecnologias atuais nos permitem. O arsenal Google está hoje à disposição de qualquer um, que com suas ferramentas Maps, Street View, Earth, Latitude e Googleme, permitem uma invasão nas vidas e propriedades alheias. Quando subimos um pouco mais em budget e limitação de acesso público, temos ferramentas militares que do espaço sabem reconhecer pessoas em trajes civis ou militares e até placas de carro. Se nossas câmeras de fotografia digital caseiras já conseguem reconhecer um sorriso para aí então disparar o obturador, imagine a capacidade de máquinas de bilhões de dólares. O fato é que não temos como fugir. Vítima, objeto ou sujeito, o melhor que temos a fazer é entender o funcionamento desta máquina e usá-la a nosso proveito.



[1] http://tinyurl.com/realpsik – último parágrafo

[2] Freud (1972: 11-44); Merleau-Ponty (1971: 235-37); Lacan (1975: 90-115); Máquinas de Vigiar, Arlindo Machado, pg. 229

[4] Máquinas de Vigiar, Arlindo Machado, pg. 224

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Impressões - Filme - Minha Amada Imortal

Filme: Minha Amada Imortal - 115 minutos

Com: Gary Oldman,Isabella Rossellini,Valeria Golino

Trama: Após a morte de Beethoven, seu amigo Herr Schindler descobre duas coisas: um novo testamento e que havia uma paixão oculta na vida do Maestro. O Testamento deixava todas as posses para esta secreta amada. Seguindo os caminhos amorosos de Beethoven, Anton Schindler chega até a surpreendente amada, mas não sem antes passar em revista muito da vida do compositor.

Estrutura narrativa: O filme é confuso por uma diversidade de fatores. Há uma cronologia não linear, pois a cada passo da investigação de Anton Schindler, somos remetidos a uma parte diferente do passado de Beethoven.

Em diversas partes do filme há a narração, feita por Schindler. Esta narração é, em muitos pontos, a leitura do "Testamento de Heiligenstadt" e da carta entitulada "Minha Amada Imortal 1". Mas nem sempre é claro se é um pensamento do próprio Herr Schindler ou se é ele lendo trechos da carta ou do testamento.

Diversas vezes, durante uma fala de um personagem ou de uma narração, muda-se a cena, sem se quebrar a fala. Esta continuidade do áudio com interrupção da sequência do vídeo também acontece com músicas. O objetivo desta transição de cenas seria nos remeter ao passado, ao momento histórico dos fatos narrados. Nem sempre foi intuitiva a transição, principalmente nas narrativas.

Por diversas vezes, por Beethoven ser surdo, as conversas parecem sem pé nem cabeça, pois não há coerência entre perguntas e "respostas". Neste ponto, o filme quis e conseguiu transmitir o volume de mal-entendidos que isto trazia à vida de Beethoven.

Dificuldades de interpreração: Interpretar um surdo, mas permitir que ele fale sem afetação ou fanhosidades é um desafio. Escutar é atividade invisível, que acontece no interior de nossas mentes, sem externalidades. Diferentemente de um cego que tropeça, um surdo o é em silêncio. A Gary Oldman foi permitido falar alto e perguntar, às vezes, aos seus interlocutores se estava falando alto.

Nacionalidades dos atores: interessante como ao usar atores de diversas nacionalidades, os sotaques nos remetiam ao fato que aquela história tinha acontecido em Alemão. Eu gostei deste efeito.

Maquiagem e envelhecimento
: Gary Oldman trazia detalhes como o movimento incerto de suas mãos, para demonstrar envelhecimento. O envelhecimento foi melhor trabalhado nos cabelos e perucas do que na maquiagem. Na voz, Gary Oldman manteve Beethoven jovem, sem criar uma voz mais envelhecida.

Intersecção com a realidade: Diversos biógrafos tentaram descobrir quem foi a Amada Imortal. Ao longo dos séculos muitos nomes foram mencionados e defendidos. No entanto, a escolha do filme teve uma carga dramática interessante, muito bem amarrada. É interessante imaginar que Beethoven seria pai de seu sobrinho e que nutria um amor secreto por sua cunhada. E que poderiam ter vivido esta história de amor, não fosse uma infeliz sequência de eventos e de suas próprias personalidades complicadas.

Highlights: O destaque está mais na trama e na história do que nas atuações e na edição. Os movimentos e posicionamentos de câmera são convencionais, tranquilos. As atuações também são boas, mas sem carga dramática. Neste filme encontrei pouco o que falar.

 

Meus pensamentos secretos: o filme valeu mais pela carga histórica, do que pela carga dramática. No entanto, para um romance, foi um ótimo filme policial. Para um filme de época, foi um ótimo thriller. 

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Impressões - Peça Teatral - Bem aventurados os anjos que dormem

Peça: Bem aventurados os anjos que dormem – 60 minutos

 

De: Marília Toledo – Direção Kleber Montanheiro

 

Com: Cris Rocha, Daniela Flor, Ariel Moshe, Carlos Dias, Márcio Dias.

 

 

Personagens: Dr. Stein, que é um cientista; Hanna, sua secretária; O reflexo do Dr. Stein no espelho; O filho médico do Dr. Stein com Hanna; O paciente do filho do Dr. Stein; A mulher do paciente, que depois se tornaria a mulher do filho do Dr. Stein, o turista Italiano, o neto do Dr. Stein; 

 

 

Primeira impressão: o teatro é estreito e comprido. Entro e caminho no térreo entre mesas e banquetas nas laterais. Há holofotes no teto. Poderia ser ali mesmo a encenação? Perguntei. Não. Seria no andar superior. Estou adiantado. Vou tomar uma cerveja enquanto espero a hora. Onde estive que nunca freqüentei esta praça? A praça é suspeita, mas a calçada dos bares e teatros é bem movimentada e iluminada. Parece seguro. Quero voltar mais vezes.

 

Primeira campainha: um gong, na verdade, batido ao vivo, no meio de nós no térreo.

 

Segunda campainha: abre-se uma cortina lateral. Há uma escada quase muito inclinada. Um ator nos espera no topo. Há decoração. Velas. Flores. Já começou. Já faz parte. Não vou simplesmente escolher uma cadeira e esperar o show começar. O ator se aproxima e cochicha ao pé do ouvido: durma o sonho dos anjos. Termino de subir o último lance de escadas. Um personagem suspeito me avalia. Usa óculos e tem as pálpebras caídas. A direita mais caída. Ele é alto e usa um blazer claro. Logo uma personagem me oferece chá. Aceito. Ainda estou caminhando, mas agora já percebo o palco. Estamos cruzando o palco. A platéia ficará lá, do outro lado. Sento-me, como de hábito, na primeira fileira. O chá aquece minha mão. Cheira bem. Escurece. Luzes. Um sotaque alemão. É o Dr. Albert Stein. Ele está sobre um tablado quadrado de aproximadamente 3X3 metros. Este tablado é o palco principal. Mas atrás dele, até o fundo de onde viemos ainda é palco. Aliás, como só descobriremos na cena final (ou como se chama algo que não vemos, só imaginamos?), o palco continua até depois de seu próprio fim.

 

Palco: O tablado girava. E isto mudava o cômodo, a situação na qual acontecia a cena. O tablado girava sobre rodas que podiam ser travadas. Ao vivo. A 3 metros de mim. Toda a parte funda do palco, aquela fora do tablado, acontecia ao sabor da iluminação. A iluminação deu ênfase num marido entrevado numa cadeira de rodas logo após o tablado e também mostrou o ser que habitava dentro do espelho. Os atores não saíam de cena. Sentavam nas cadeiras ao fundo, por vezes banhados pela luz, por outras não.

 

Cronologia: era reversa. Ia e voltava. Foi a história de 3 gerações, de avô a neto, de 1913 a 1975. As datas eram escritas a giz em placas na parede antes do início de cada série de cenas. Quando voltávamos a uma data, bastava sublinhar a data escrita anteriormente.

 

Representação: é por isto que teatro é teatro – porque é teatral! A primeira cena deu o tom. Hanna é totalmente caricata, Dr. Stein idem. As faces de Hanna são muito claras. Não há dúvidas quanto ao que sente. O Dr. Stein em determinado momento conversou com seu reflexo ao telefone. Poderia jurar-se que ali estavam dois atores. Como sempre me impressiona, e talvez sempre continue a me impressionar, como é possível decorar tantas falas, tantos diálogos, tantos gestos, todos pensados, nada deixado ao acaso? Do ator mais jovem, representando o filho do Dr. Stein, perceberam-se duas ou três sílabas trocadas. Ainda bem! Eles são humanos. Já começava a duvidar da humanidade por trás de atores de teatro. E isto é o encanto do teatro. É real. É ali. É humano.

 

Apesar das idas e vindas na cronologia, a história bem amarrada e as placas na parede indicando a data nos conduziram muito bem. Claro, não dava para se distrair. A trama era complexa.

 

Trama (ou Spoiler – não leia se não quiser saber o final da história): Cientista Albert Stein consegue dar vida ao seu reflexo no espelho, que foge e leva vida independente. Como reflexo que é, leva uma vida ao contrário, às avessas, a começar por seduzir Hanna, sua secretária recatada e de longa data. Desta relação nasce um filho, que eventualmente vira médico. Este médico tem um paciente, que tem uma esposa a quem subjuga. O médico e a esposa se enfatuam e planejam o fim do paciente/marido. Morte lenta e cruel passa por período de invalidez. Médico e viúva têm filho, que morre ainda novo. O Médico e sua mãe, Hanna, ex-secretária e ex-esposa do Dr. Stein possuem uma pousada. Após a morte do filho do Dr. Stein, mais de 60 anos depois de iniciada a trama, há a leitura de uma carta-testamento. Na carta é revelada o segredo de Hanna e de seu filho médico para sua viúva. A pousada era de fachada, e servia na verdade para atrair turistas e mumificá-los, na esperança de através de DNA trazer de volta à vida o Dr. Stein, amado marido de Hanna e pai de seu filho. E a viúva ainda escuta que seu filho, o neto do Dr. Stein, não estava morto. Estava vivo e que ela deveria vê-lo na antiga pousada. Fruto de experimentos de seu marido médico, o filho havia se tornado um monstro.  A viúva, sua mãe vai vê-lo e.... grito!!! Escuro. Silêncio. Palmas de metade da platéia. Acabou? Continua escuro. Luzes. Aí estão os atores. Sim. Havia acabado. Agora sim palmas de toda a platéia. E mais palmas, agora de pé.

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Impressões - Peça teatral - Honey

Peça – Honey

 

Local – Teatro Cultura Inglesa Pinheiros

 

Atores – 3 músicos no palco e 5 atores

 

Enredo – Mãe e filha de vidas desregradas, seus casos amorosos conturbados e a repetição dos padrões de comportamento entre elas.

 

 

Primeiras impressões – Ao entrar na sala de apresentação, os 3 músicos já estavam ao fundo do palco tocando seus instrumentos: bateria, baixo e piano. Mais do que tocando, estavam interpretando. Suas caras transmitiam sensações de acordo com as músicas.

 

A sala de apresentação era pequena e bem inclinada, oferecendo boa visão de todos os lugares, mesmo assim escolhi ficar na primeira fileira, ligeiramente deslocado para a esquerda do palco. Pela disposição do mobiliário no palco, este lado parecia oferecer a melhor proximidade com as cenas. Parece que acertei. As cenas se concentraram neste lado do palco.

 

O início da peça – Entram em cena duas atrizes, mãe e filha. O uso dos músicos foi bem explorado, com 3 funções distintas: trilha sonora, sonoplastia e receptores de pensamentos dos atores. Os atores, quando tinham algum pensamento que não era um diálogo com outro ator, dirigiam-se aos músicos, que acenavam a cabeça concordando ou se mostrando perplexos com o pensamento.

 

O desenrolar da trama – Em discussões entre mãe e filha, as atrizes começam a nos dar dicas de seus passados, que incluem vidas desregradas, trabalhos em pubs, múltiplos namorados da mãe, de 40 anos. O pai, ausente, havia sido apenas um caso passageiro da mãe. A filha tem 17 anos e ainda não teve namorado.

 

A entrada de novos atores – Primeiro chega um novo namorado para a mãe, mais jovem e rico, que a leva para morar em sua mansão. Sozinha, a filha arruma um namorado: um marinheiro negro, que a encanta com promessas e presentes, mas desaparece logo em seguida. Aparece um amigo gay, que começa a dividir o apartamento com a filha. Ela está grávida do marinheiro e o amigo gay se torna confidente e companheiro dela.

 

O fechamento da trama – o amigo gay descobre o paradeiro da mãe e a chama de volta. Numa primeira volta descobre a gravidez e repudia a idéia de ser filho de um negro. Expulsa da casa do namorado bêbado e agressivo, a mãe volta de vez. O amigo gay vai embora e pede que a mãe cuide da filha.


Desempenho dos atores

 

  • Baterista – tentou interpretar, mas era mais baterista
  • Baixista – Suas caras e bocas eram pertinentes, muito expressivas e engraçadas.
  • Pianista – um pouco mais tímido que o baixista, mas muito engraçado.
  • Mãe – muito natural, parecia a mais experiente da turma, com muita desenvoltura, ocupando o palco inteiro, interagindo bastante com os músicos e com boa articulação da voz.
  • Filha – Foi a atriz mais presente, nunca saindo de palco. Todo o enredo girava ao seu redor. Por vezes a expressão facial não acompanhava o texto, dando a sensação de que o texto havia sido decorado. Em contraponto, as falas da mãe pareciam totalmente dela, como se estivessem sendo criados e pensados naquele momento.
  • Namorado da mãe – Ficou com o difícil papel de Latin Lover bêbado e agressivo, para o qual é difícil ficar fora do escracho caricato. E nisto o texto e as expressões eram bem teatrais, no sentido de cheias de formatos.
  • Marinheiro – Entrada pontual na peça. Sua linguagem corporal convencia como menino apaixonado, o que ele queria transmitir para a filha e que a trama demonstrou ser fachada.
  • Amigo Gay – Também com muita naturalidade, soube interagir com os músicos arrancando risos da platéia.  

 

 

Meus pensamentos secretos – Quando vi a mãe cantar, mesmo que desafinada (fazia parte do enredo o desafino), fiquei pensando: como eu gostaria de saber cantar! E a cada diálogo, quanto mais andava a peça, eu pensava: como será que eles guardam todos estes textos? Não deve ser fácil estar lá na frente, com uns pentelhos na platéia a te julgar...

 

Também comparei minha centena de horas de palco com aquela situação. Quando a peça começou, a mãe inicialmente ficou mais de costas para a platéia, interagindo com seus pensamentos (os músicos). Como minhas horas de palco são em palestras, em que me dirijo ao público e com eles me relaciono, deve ser estranho ter que não se relacionar com a platéia.

 

 

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Impressões - Filme - O poderoso chefão

Filme – O Poderoso Chefão, de 1972, dirigido por Francis Ford Coppola – 175 minutos

 

Atores principais – Al Pacino, Robert Duvall e Marlon Brando, muito jovens.

 

Enredo – História da Máfia Italiana nos EUA, em torno do personagem Don Corleone, nos anos 30 e 40. Disputas e vinganças entre famílias de mafiosos, expansão de mercados, novos ramos de negócios.

 

 

Primeiras impressões – De cara percebe-se o uso de um enquadramento nos diálogos que pega em primeiro plano, fora de foco, as costas de um interlocutor e ao fundo, no foco, o outro interlocutor de frente. Percebe-se também o uso das músicas para ambientar a cena e a informalidade de movimento das pessoas e da câmera no momento de festa do início do filme, em contraste com tomadas de câmera fixa e sem música em momentos mais tensos do filme. A primeira cena do filme foi extremamente longa, durando vários minutos sem cortes, num só diálogo.

 

Uso de sons – barulho de passos fortes no piso, portas abrindo e fechando, latas batendo. O uso de sonoplastia é intenso, quase exagerado.

 

Tomadas de câmera fixa – em diversos momentos a câmera ficava fixa e  os personagens entravam e saiam de cena. Normalmente combinava com momentos sem música. Dava um tom sóbrio, tenso ao momento.

 

Mudança de ritmo – o filme acelera após a morte de Don Corleone, com cortes mais freqüentes, mais movimento de câmera e mais música. É como se fosse um segundo filme. No primeiro quem ditava o ritmo era Don Corleone, com seu jeito tranqüilo. Quando a trama é liderada pelos impetuosos filhos, tudo acelera, na trama e na edição.

 

Iluminação – o clima também era formado pelas técnicas de iluminação, com muitas cenas escuras e uso de sombras nas faces dos atores. Isto criava ambientes e personagens suspeitos, sinistros.

 

 O desenrolar da trama (possível spoiler - não leia se você quer ver o filme) – Don Corleone lidera sua família de mafiosos, controlando negócios envolvendo bebidas, jogos e mulheres. Respeitado e temido, é na verdade um grande lobista, um trader de favores, nem sempre lícitos. A disputa por territórios e a chegada do tráfico de drogas provoca rivalidades entre famílias, que iniciam atentados umas contra as outras. Num destes Don Corleone é alvejado e espera-se que ele morra. Seus filhos, durante sua recuperação de saúde, assumem os negócios, e a vendetta, vingança. O filho mais novo, militar herói de guerra, sempre mantido à distância dos negócios da família, aproxima-se, ao ver que os irmãos estão conduzindo na direção errada. Um dos irmãos, o mais impetuoso, sofre um atentado e morre. Este filho mais novo mostra-se tão racional quanto frio e consegue restabelecer um equilíbrio. O pai ainda vive por um bom tempo. Eles ampliam seus negócios para Las Vegas, nos cassinos. E termina meio open ended.  

 

 

Meus pensamentos secretos – Como assim eu vou fazer uma crítica, escrever criticamente sobre um dos clássicos do cinema Norte Americano? Mas se tem que fazer, vamos lá. Eu achei o filme lento. Já tinha tentado ver outras vezes e parado no meio, com certeza antes do filme acelerar depois da morte de Don Corleone. Mas imagino que editar filmes em 1972 deve ter sido mais difícil do que hoje, assim que as tomadas e cortes malucos de um Quentin Tarantino, que eu adoro, deviam ser impossíveis naquela época.

 

Foi divertido ver Robert Duvall e AL Pacino, de quase 40 anos atrás. No começo quase nem dava para reconhecê-los, mas com o tempo as faces deles ficou familiar. Dá para perceber uma evolução impressionante do Al Pacino mafioso para o Al Pacino de Advogado do Diabo. Já Robert Duvall enveredou para filmes de ação e se tornou o comandante oficial de lançamento de foguetes da NASA, em diversos filmes com este tema.

 

Francis Ford Coppola não me emociona, como em Apocalypse Now, que também não consegui assistir além dos primeiros minutos. Assim com no caso do Poderoso Chefão, talvez eu devesse tentar mais uma vez assistir Coppola.

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