15 June, 2009

Impressões - Filme - Mulher Invisível

Filme: A mulher invisível – 105 minutos

 

Atores: Selton Mello (Pedro Albuquerque), Luana Piovani (A invisível Amanda), Maria Manoella (Vizinha Vitória), Vladimir Brichta (Amigo Carlos)

 

Enredo: Homem é largado por esposa e fantasia a presença de uma mulher ideal em sua vida. Sua vizinha, que já escuta sua vida pela parede há anos, fica viúva. Seu amigo Carlos tenta avisá-lo que está confundindo realidade com fantasia e daí segue a trama.

 

 

Primeiras impressões: Sou suspeito. Gosto do trabalho do Selton Mello há muito tempo. Já começo a dar risada só de olhar para ele. O poder deste filme está na atuação dos atores, já que de cara não se percebe nenhum arroubo de cenário, figurino ou filmagem.

 

Comédia: fazia tempo que eu não ria tantas vezes durante um filme. Parte enredo, parte interpretação, parte timing de edição.

 

A gostosa: É só no Brasil ou gostosas são chamarizes em todos os lugares? O filme veio com uma gostosa rebelde. Neste caso a personagem pegou emprestada a vida real da atriz para ter mais força. Ou seria a vida real da atriz uma bem montada personagem, para satisfazer a fome da mídia? De qualquer forma, parece uma espécie de moto perpétuo midiático, um círculo auto-alimentante eficiente.

 

The leading role: O que é um bom ator? Um bom ator é um ator convincente, que nos faz embarcar em seu personagem, em sua história, que nos faz perder o vínculo com a realidade. E para entrar tanto num personagem, o ator deve se livrar de todos seus outros personagens, inclusive dele mesmo. Com o passar do tempo percebemos que determinado ator só consegue fazer um tipo de personagem e parece que são todos sempre iguais. Não, não é que o ator tenha formado o seu estilo. É que o ator não consegue livrar-se de si mesmo em cena. Selton Mello já provou que consegue fazer uma grande variedade de tipos, mantendo sua marca registrada. Ele consegue dar personalidade individual a cada um de seus personagens, mas mantê-los unidos por algum traço que ainda não identifiquei. Selton Mello não é daqueles atores que pasteurizam todos os seus personagens, pelo contrário, dá vida autônoma a cada um deles.

 

The leading role 2: Enquanto percebemos os outros bons atores representando seus personagens, ou no caso da gostosa rebelde, emprestando sua personagem, Selton Mello nitidamente goza de liberdade interpretativa que dá vida e individualidade ao seu personagem. São jeitos, trejeitos, sotaques e ações exageradas, que nas mãos de Selton se tornam verossímeis. Estivessem em outras mãos, se tornaria pastelão.

 

Meus pensamentos secretos: Deve ser lindo chegar ao estágio da liberdade na carreira, da liberdade de atuar sem medo de ser criticado. Porque não existe nada mais castrante do que o medo, em qualquer coisa na vida, mas especialmente nas performing arts, especialmente sujeitas às criticas.

Posted via email from exploranter's posterous

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