14 June, 2009

Impressões - Peça Teatral - Teatro Enlatado - Daily Special #8

Peça: n° 8 - Colchões

 

Local: Drive Thru, na calçada da Praça Roosevelt, em frente ao Mini Teatro

 

De: Teatro Enlatado – www.prontoparaconsumo.blogspot.com

 

Atores: 2 – um radialista e uma ouvinte sorteada

 

Duração: 4 minutos

 

 

Primeiras impressões: Eu já havia passado em frente ao Drive Thru diversas vezes. Não havia como não perceber aquele objeto na beira da calçada. Uma cabine de acrílico, com uns 2 metros de altura, 3 de comprimento e 1 de largura, com uma luz estroboscópica a chamar nossos olhares. Mas esta noite eu parei em frente. Vi os títulos no cardápio: 1, 2, 3, 4, 5, 6... Mas era dia dos namorados, então tinha os Daily Specials e eu fiquei com o 8 – colchões mega blaster blábláblá...

 

A cortina se abre: a de trás, por onde eu entrei. Sento-me na cadeira. A cortina preta por onde eu entrei se fecha. Ao meu lado esquerdo, uma parede de acrílico. Vejo a calçada e sou visto. Ao meu lado direito, a mulher maravilha. Ou pelo menos a figura dela, com um buraco recortado na sua cara. À minha frente uma tela plástica transparente, dividindo o espaço em dois espaços iguais: do lado de cá, eu; de lá, o palco. A tela plástica tem um buraco redondo grande bem no meio.

 

A mulher maravilha fala - Do buraco na cara da mulher maravilha aparece a moça da bilheteria, aquela que há pouco havia fechado a cortina preta atrás de mim. Ela começa a fazer os anúncios de segurança obrigatórios e ... ops, já começou, já estou rindo. Ela fala tudo ao contrário, como “aqui não há saídas de emergência” e por aí vai. E ela pede que seja fechada a cortina da esquerda. Não serei mais visto pelos pedestres.

 

As luzes se apagam: cortina fechada, luzes apagadas. Está na hora, ou no minuto, do palco. Aparecem 2 atores. No segundo plano, se é que existe segundo plano em menos de 1 metro quadrado, um ator em pé. No primeiro plano, quase tocando seu joelho no meu joelho, sentada, uma atriz.

 

As luzes se acendem: (spoiler – não leia se você quiser consumir o n°8) Atriz parece virar algo para comer. Deglute com sofreguidão. Barulho de telefone chamando, feito pelo ator. Barulho insistente. A mulher hesita em atender. Mais tons de telefone. Ela atende. Ele é de uma rádio. É dia dos namorados. Ela ganhou um sorteio de colchão de casal. “De casal???” – pergunta a atriz e começa a caricatamente chorar. E o empolgado radialista diz que para ganhar precisaria responder 3 questões corretamente. E a cada pergunta, mais pensamentos que perturbam aquela ouvinte solteira num dia dos namorados. Ela responde às 3 perguntas, cômicas, corretamente e ganha. Mas ela não consegue responder ao final. O que estaria naquele potinho que ela virou goela abaixo? Fim.

 

Aplausos: 5 minutos passam muito rápido. As luzes se apagam. Demora uma eternidade de uns 2 segundos para cair a ficha de que acabou. Aplausos e uma sensação de leveza de uma peça que veio, entreteve e se foi em menos de 5 minutos. É, entre bilheteria e saída, 5 minutos. Gostei. Acho que vou consumir os outros números nas próximas vezes que eu passear em frente aos teatros da Praça Roosevelt em São Paulo.

 

After taste: Gostoso. Em menos de 1 metro quadrado, ele transmitia a felicidade forçada dos radialistas e ela a infelicidade depressiva dos suicidas. Caricatos, reais, atores. Leve, uma pílula de diversão. Honesto, a R$ 1,99 ou a R$ 4 por casal, mas você levava 2 balinhas como troco, as indefectíveis balinhas de troco. Até isto, pensado.

Posted via email from exploranter's posterous

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