21 August, 2009

Posterous | Re: Relatório - Peça Teatral - Os Figurantes

“The beauty is in the eye of the beholder” – não importa quem, quando ou como, em fotografia temos liberdade. Liberdade ampla, tanto de agir, como de sentir ou analisar.

Num mundo parametrizado por máquinas, feitas aa imagem e semelhança do homem, fotografar ou apreciar fotos, nos leva a um plano pós-histórico, onde a análise causal é de pouca valia, ao passo que análises formais, funcionais preponderam.

Estamos diante de uma mudança de paradigmas. Tomando o ultimo paradigma, do mundo mecanizado, tínhamos a criação dos aparelhos segundo a morfologia do próprio ser humano, para uma seguinte alienação desta origem e o entendimento do aparelho como paradigma de ação. Na fotografia, principalmente na fotografia experimental, que desafia a máquina, forçando a resultados não previstos na fase de programação da máquina, abstraímos do aparelho e nos concentramos no resultado.

Ao abandonarmos a estrada dura dos programas imutáveis incutidos nos aparelhos, nos aproximamos de um protótipo do novo homem, livre. Livre para agir, pensar, analisar, apreciar.

Curiosamente, apesar da fotografia permitir visualizarmos o protótipo do novo homem, este mesmo homem parece  ter sido esquecido na definição formulada por alguns autores dos conceitos-chave da fotografia: imagem, aparelho, programa, informação.

Percebemos claramente que a mente que vaticinou que estes seriam os conceitos-chave da fotografia, o fez a partir de um modelo mental formatado no paradigma dos instrumentos, do mundo dominado por máquinas e suas idiossincrasias.

Na esteira destes conceitos chave, criou-se a definição de que fotografia seria imagem produzida e distribuída por aparelhos, segundo um programa, a fim de informar receptores.

Nesta definição, esqueceu-se o estudioso da essência da foto, que é a percepção humana, que torna todo o resto em acessório superveniente.  

Distanciando-se a fotografia de sua tangibilidade, deixando de ser entendida como instrumento, e passando a modelo de pensamento, e, estando toda uma sociedade, ainda que inconscientemente, adentrando este novo universo de entendimento de seu entorno, chegamos aa conclusão que estamos diante de uma nova estrutura de existência do mundo e da sociedade.  Uma sociedade livre de amarras mentais, aberta ao subjetivo, liberta dos nexos causais, enfrentadora dos aparelhos e programas unilateralmente impostos. Descortina-se diante de nós a possibilidade de vivermos livremente, graças ao modelo mental inerente aa fotografia. Fotografemos!

By Flavio Melo - Exploranter
em conjunto com Marilia Nogueira de Melo Oliveira, Marketing, FAAP

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